Uma nova pesquisa da SERASA, em parceria com a caixa de opinião, revelou dados alarmantes: Nove em cada dez mulheres brasileiras dizem que a sobrecarga de tarefas domésticas e profissionais prejudica sua vida financeira.
Embora a presença feminina no mercado de trabalho tenha crescido nas últimas décadas, A divisão desigual de responsabilidades domésticas continua sendo um obstáculo significativo ao progresso econômico das mulheres.
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Turno duplo: casa e trabalho
O conceito de “mudança dupla” – onde a mulher trabalha no exterior e, ao chegar em casa, assume a lição de casa sozinha e os cuidados infantis – ainda está presente na vida cotidiana de milhões de brasileiros.
Essa rotina exaustiva impede que muitas mulheres investem em qualificação profissional, oportunidades de renda extras e até descanso.
Impacto na qualificação profissional
De acordo com o estudo, Falta de tempo e energia Causada por sobrecarga, leva as mulheres dos cursos, a rede e a busca de melhores posições no mercado. Este cenário reduz diretamente as chances de promoções, resulta em salários mais baixos e compromete a competitividade feminina.
“Sem tempo para estudar ou descansar, há cansaço e falta de oportunidade”, diz Mariana Ribeiro, analista de dados e mãe solo.
Empreendedorismo: alternativa ou armadilha?
Informalidade como uma partida imediata
Pesquisas mostram isso 7 em cada 10 mulheres já recorreram ao trabalho informal para complementar a renda. Entre as motivações mais comuns estão:
- Necessidade de dinheiro imediato (36%);
- Custo de vida com crianças (23%);
- Despesas que o salário fixo não cobre (20%).
As atividades mais frequentes incluem revenda de produtos, limpeza, cuidados pessoais e entrega de alimentos. Embora essencial, essas funções oferecer pouca segurança e quase nenhuma perspectiva de crescimento profissional.
Sobrecarregado mesmo ao realizar
Para muitas mulheres, o empreendedorismo parece ser uma maneira de escapar da rigidez do mercado formal. No entanto, A carga doméstica não desaparece ao abrir um negócio. De acordo com seasa:
- 73% dos empreendedores dizem que as tarefas domésticas dificultam o gerenciamento de seus próprios negócios;
- 74% já precisavam fazer “bicos” para manter a empresa funcionando.
Além disso, a dificuldade de acesso ao crédito e o histórico de inadimplência se tornam barreiras reais ao sucesso da empresa.
Endividamento e falta de apoio institucional
Mais vulnerável a mulheres dívidas
De acordo com a pesquisa, 8 em cada 10 mulheres já tiveram o nome negativo. O desequilíbrio entre responsabilidades e renda, adicionado à falta de tempo para o planejamento financeiro, explica esse fato preocupante.
Falta de acesso ao crédito
Entre os empreendedores, 68% já haviam negado reivindicações de créditoMesmo aqueles com negócios trabalhando regularmente. A desconfiança do sistema financeiro, geralmente apoiada por critérios inflexíveis, limita ainda mais as possibilidades de crescimento.
A falta de políticas públicas agrava o cenário
A ausência de medidas institucionais que reconhecem e recebem necessidades femininas no mundo do trabalho e dos negócios cria um ciclo de dificuldades financeiras, estagnação e sobrecarga.
Caminhos para mudar este cenário
Divisão Equitativa das Cores da Família
Embora simples, A redistribuição do trabalho doméstico entre os membros da família é uma etapa essencial para aliviar a sobrecarga feminina. No entanto, o estudo aponta que Esta mudança cultural ainda ocorre em um ritmo lentoe precisa ser acompanhado por mais ações estruturais.
Medidas estruturais sugeridas
O relatório de seasa destaca algumas soluções urgentes:
- Maior oferta de creches públicos;
- Educação financeira focada em mulheres;
- Programas de suporte para empreendedorismo feminino;
- Fácil acesso ao crédito;
- Reconhecimento do trabalho doméstico não remunerado na economia.
Essas medidas podem equilibrar o jogo e permitir que mais mulheres tenham tempo e recursos para investir em seu próprio futuro.
Por que o reconhecimento do trabalho invisível é essencial?

Trabalho doméstico, embora essencial para a manutenção da sociedade, Segue -se invisível nas contas da economia formal. Este cenário não apenas desvaloriza o desempenho das mulheres, mas também impede o design de políticas públicas eficientes e direcionadas.
“Sem reconhecer o valor dos cuidados, o sistema ainda é cego para as necessidades de metade da população”, diz o economista Fabiana Oliveira.
Conclusão
Sobrecarga enfrentada pelas mulheres no Brasil é um fator central em Desigualdade econômica de gênero. A pesquisa de Seasa expõe claramente o ciclo vicioso em que muitos brasileiros estão presos: muita demanda, pouco tempo, menos renda e poucas oportunidades.
Quebrar este ciclo requer Mudança cultural, políticas públicas eficazes e apoio institucional. Até então, milhões de mulheres continuarão carregando, sozinhos, o peso de uma economia que ainda não as inclui.
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