O Banco do Brasil (BBAS3) foi novamente alvo de rebaixamento pelo mercado financeiro. Desta vez, a preocupação gira em torno da possibilidade do banco público pagar o menor dividendo Entre os principais bancos brasileiros em 2025. A projeção negativa é baseada em uma série de fatores que estão pressionando os resultados da instituição, como a explosão de inadimplência no agronegócio, perdas com FIES e a aplicação da nova resolução 4966 do Conselho Monetário Nacional (CMN), que altera as regras contábeis para a provisão de perdas.
De acordo com Itaú BBA, que revisou suas projeções para o Banco Do Brasil, os lucros esperados para 2025 caíram 33%, enquanto em 2026 a queda projetada é de 24%. Além disso, o pagamento – uma parte do lucro dos dividendos – foi ajustado para baixo, atingindo apenas 30%, representando um rendimento estimado de 6%estimados de dividendos, abaixo da média histórica do BB e menor que os principais concorrentes privados.
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Estimativas de dividendos e impacto no mercado

A projeção reduz o rendimento de dividendos e expande desconfiança
A redução na expectativa de distribuição de dividendos coloca o Banco do Brasil em desvantagem contra Itaú, Bradesco e Santander. Apesar da desvalorização de cerca de 28% nas ações da BBAS3 nos últimos meses, o rendimento de dividendos permanece menos atraente. A média histórica do banco é de 7,41%, mas a nova projeção da Itaú aponta para um retorno de 6%, o mais baixo entre os grandes bancos.
Para VPA reforça a percepção de desconto
A queda no valor das ações levou ao Banco Do Brasil’s P/VPA (preço) a 0,68, abaixo da média histórica de 0,94. Isso indica que o artigo está sendo negociado com desconto no valor contábil da instituição – o que pode apresentar oportunidades, mas também incorpora riscos, especialmente considerando os fatores negativos que afetam o banco.
Padrão em agro e nova resolução agravam o cenário
O setor agrícola expõe a fragilidade do portfólio
O novo CMN Resolution 4966 obriga os bancos a adotar o modelo de contabilidade esperado em três etapas. O Banco Do Brasil, com cerca de R $ 400 bilhões em crédito agrícola – equivalente a um terço de seu portfólio – foi particularmente alcançado. Ao contrário de instituições como Bradesco e Itaú, que já estavam se adaptando, o BB mantinha práticas mais conservadoras.
Estágio 3 e deterioração dos ativos
No estágio 3 da nova regra contábil – a mais crítica – cerca de 72,6% do portfólio agrícola do BB já está provisionado, 38,5% está diretamente ligado ao agronegócio. O avanço da inadimplência após a colheita de 2024 e o aumento dos pedidos de recuperação judicial levaram o banco a reforçar as disposições, pressionando ainda mais a margem de lucro.
A crise de Fies acrescenta pressão aos resultados
Impacto bilionário no saldo contábil
Outro fator de peso na revisão negativa foi o dano bilionário com o Fundo de Financiamento para Estudantes (FIES). O Banco do Brasil possui cerca de US $ 26 bilhões em contratos inadimplentes, assinados principalmente entre 2010 e 2018. Mais de 838 mil contratos estão vencidos, enquanto o fundo de operações (FGO) tem apenas R $ 20 milhões – um valor de escuridão diante da magnitude do problema.
Risco contábil, embora não -operacional
Embora o BB atue apenas como um agente financeiro e não assuma o risco de crédito – a responsabilidade que se apaixona pelo governo – o impacto contábil dessas perdas ainda reflete nos balanços trimestrais. Isso contribui para a percepção negativa do mercado em relação à lucratividade futura da instituição.
Perspectivas e tentativas de reversão

BB busca flexibilidade com o banco central
Dadas as dificuldades, o Banco Do Brasil iniciou conversas com o Banco Central para tentar fazer a forma de avaliação do portfólio de crédito rural. A idéia seria ajustar os critérios de classificação e provisionamento exigidos pela nova resolução, o que poderia aliviar a pressão nos balanços contábeis.
O mercado permanece cauteloso com a interferência do estado
Apesar do movimento, o mercado permanece reticente. Além de dúvidas sobre a reversão de fatores negativos, também há preocupação com o comportamento do governo em relação ao risco fiscal e à conduta dos bancos públicos. A ItaU chegou a cortar o preço-alvo das ações da BBAS3 para R $ 25, mantendo a recomendação de curto prazo.
Comparação de dividendos estimados para 2025
Tabela: Rendimento de dividendos projetado pelo banco
Banco | Rendimento estimado de dividendos (%) |
---|---|
Itaú | 3,5% – 8% |
Banco do Brasil | 6% (pior cenário) |
Bradesco | 5,7% – 8,5% |
Santander | 4,5% – 7,5% |
Historicamente, o Banco do Brasil liderou o ranking de retorno por meio de dividendos entre os principais bancos brasileiros. No entanto, com a combinação de fatores adversos – agronegócios, mudanças de FIES e contábeis – esse cenário pode mudar significativamente em 2025.
O que esperar de agora em diante?
Pressão sobre lucros e dividendos deve continuar
Se não houver alterações regulatórias ou uma recuperação significativa na qualidade do portfólio de crédito, é provável que os lucros do Banco Do Brasil sejam removidos. Isso comprometeria a distribuição de dividendos não apenas em 2025, mas também nos próximos anos.
O risco político pode interferir nas decisões estratégicas
Sendo uma instituição pública, o BB está mais exposto a decisões do governo, incluindo dividendos. Em um cenário de maior intervenção política, é possível que os lucros sejam mantidos para reforçar o financiamento de capital ou políticas públicas, o que também afetaria os acionistas.
A possibilidade de recuperação ainda é incerta
Apesar de ter sido descontado, com várias atrações como o baixo P/VPA, o artigo BBAS3 só deve se recuperar de forma consistente se houver clareza no gerenciamento de riscos agro, soluções para FIES e maior previsibilidade das regras contábeis. Sem esses elementos, o mercado tende a manter sua postura defensiva.
Conclusão
O Banco Do Brasil enfrenta um dos momentos mais desafiadores dos últimos anos, com vários vetores de pressão sobre sua lucratividade e capacidade de compensar os acionistas. A combinação de inadimplência no agronegócio, perdas com FIES e mudanças contábeis impostas pela CMN coloca o banco em uma posição delicada contra seus pares. Embora existam tentativas de mitigação, o cenário ainda é incerto, e o mercado permanece cauteloso com o desempenho futuro da instituição. Para os investidores, o momento requer atenção extra e análise cuidadosa dos motivos antes de qualquer decisão.